Da compra de comida à necessidade de remédios, do gás de cozinha de cada dia até a conta de luz mensal, passando por gastos supérfluos, como TV a cabo, o brasileiro tem sentido dificuldade para pagar os boletos. A percepção de que o mesmo salário recebido há seis meses vale cada vez menos e torna a vida mais difícil a cada dia agora virou experiência compartilhada por praticamente todos os brasileiros.
De acordo com a Pesquisa Comportamento e Economia no Pós-pandemia,
encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Instituto FSB de
Pesquisa, 95% dos brasileiros têm sentido a alta generalizada de preços nos
últimos seis meses. A percepção de inflação aumentou 22 pontos
percentuais na pesquisa de abril em relação à de novembro passado, quando 73%
dos entrevistados afirmaram ter percebido aumento nos preços.
Do total, 87% dos entrevistados até 5 de abril perceberam que a inflação aumentou muito. Em novembro, essa era a opinião de 51% dos entrevistados. O maior incremento nas contas se deu na tarifa de energia elétrica (59%); na compra do gás de cozinha (56%); e no arroz e feijão (52%).
Veja lista do que mais tem pesado no bolso dos brasileiros:
Situação financeira afetada
A percepção de aumento do custo de vida e nos preços em geral
é comum em diversos perfis etários e de escolaridade. Ao todo, 76% dos
entrevistados afirmaram que a situação financeira foi prejudicada pela
inflação. Hoje, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em
11,30% no acumulado de 12 meses.
É o maior índice acumulado desde 2003. Somente em março,
segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta
foi de 1,62%, percentual puxado pelo aumento nos combustíveis e agravado pela
guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Segundo a pesquisa da CNI, divulgada nesta quarta-feira
(20/4), as pessoas que se sentem mais afetadas são aquelas sem escolaridade,
com renda de um salário mínimo.

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